O comércio de Itaúna e suas nuances
Itaúna tem algumas particularidades que me assombram. Algumas são boas, outras ruins, mas no final das contas a cidade ainda é uma ótima opção para se morar, apesar de todos os problemas que vivemos.
Uma dessas particularidades refere-se a um dos serviços essenciais para a economia de qualquer cidade do mundo: o comércio. Com várias lojas, de segmentos diferenciados, o comércio consegue ser diversificado mas existe uma característica em comum em todo comércio itaunense: o péssimo atendimento.
Seja comprando roupas ou itens mais baratos, seja comprando itens caros, como carros, móveis, jóias e afins, a verdade é que você vai encontrar, na maioria das lojas itaunenses, um péssimo atendimento.
Quem, como eu, já morou ou visita freqüentemente outras cidades sabe do que estou falando. Num belo dia, você sai de casa para comprar algo, aí entra na loja e encontra vendedores ou com uma má vontade espetacular ou olhando você de cima em baixo para saber se você tem ou não tem dinheiro para comprar ou estar naquela loja.
Você deve estar pensando que estou exagerando ou generalizando dizendo que todo o comércio é ruim. Realmente, não podemos generalizar, mas a verdade que bons atendimentos são cada vez mais raros em Itaúna.
Diga caro leitor, quantas vezes você teve que esperar a boa vontade do frentista para calibrar os seus pneus? Quantas vezes você já entrou na loja e teve que esperar os vendedores acabar a conversa e mesmo assim eles ficaram olhando para você para ver se você desistia e ia embora? Quantas vezes você experimentou uma roupa, viu que ficou horrível e o vendedor ainda teve a cara de pau de dizer a você que ficou ótima, ao invés de falar a verdade? Quantas vezes você quis pagar a vista e pediu desconto e o vendedor disse que aquele era o preço final? Aí você pede para chamar o gerente e ele diz que é isso mesmo. Comerciante tem que dar desconto à vista, nem que seja 0,5%, porque senão pode ter a certeza de que os juros estão embutidos nos preços. Ninguém vende algo parcelado pelo mesmo preço sem um acréscimo.
Para ilustrar o que eu digo vejamos a seguinte situação: entrei em uma loja tradicional de móveis, pedi a vendedora para ver uma cama, ela me indicou o segundo andar e disse que já estava subindo, ia tomar uma água e já me atendia. Até aí tudo bem, subi e fiquei esperando um tempo, como a vendedora estava demorando resolvi olhar para o primeiro andar e para minha surpresa não é que a vendedora estava atendendo outro cliente, que entrou na loja depois de mim?! Por desaforo procurei outra vendedora, comprei uma cama mais cara e ainda vou comprar um guarda-roupas. Sai da loja satisfeito com a cara muxoxa que a primeira vendedora fez ao perceber que perdeu uma ótima venda.
Esta é apenas uma situação vivenciada por mim e tenho certeza de que você leitor deve ter vivenciado constrangimentos piores.
A impressão que eu tenho é que os donos de lojas e gerentes induzem os vendedores a “enganar” os clientes e como não há um órgão competente, nós ficamos a mercê deles. E o que me chateia é que o CDL, com toda a sua infra-estrutura, não consegue mobilizar os donos das lojas para melhorar o seu atendimento.
Mas apesar de querer mandar o comércio de Itaúna “ir pastar eu não faço isso”. Primeiro porque comprar aqui gera divisas para o município e segundo porque todas às vezes que situações como essa acontecem eu posso ter o meu momento de fúria e desestressar, rindo da cara do vendedor, que é tratado por mim com ironia, e do gerente da loja que, no mínimo, recebe uma aula sobre cortesia e respeito as pessoas.
Em contrapartida sei que quando saio da loja só não sou chamado de santo. Mas afinal quem o é?!