Sobre brincadeiras de criança
No dia 20 de dezembro fiz meu último trabalho de teatro agendado em 2009.
Férias! Também temos direito ao descanso.
Bom, aí veio Natal com a família toda reunida e reveillon com os amigos.
Viajar? Como? Com tanta chuva por aí e por aqui ( para não falar da falta de dinheiro).
Tranqüila, em casa, passei a organizar arquivos, limpar armários, ler revistas e livros, assistir filmes, reunir com amigos para contarmos histórias e rirmos, rirmos bastante. Num dos poucos dias de sol, reuni minha família para um almoço. Entre uma cerveja e outra, boa prosa, boa música, alguma divergência de opiniões, as sobrinhas me chamam para brincar. Jogamos queimada com bola de meia ( para ninguém se machucar ), brincamos de pique e, por fim, jogamos peteca. Como fui a primeira a ser desclassificada, fiquei observando o jogo das meninas e pensando: “peteca”, como será que surgiu este jogo? Por que este nome?
À noite passei a pesquisar sobre isso. Ora, isso também é cultura! Entre uma leitura e outra encontrei a explicação na revista Vida Simples ( Editora Abril ), do mês de maio de 2009.
É provável que os portugueses que se dirigiram ao centro-sul do Brasil tenham deparado, entre cocares e ocas, com uma trouxinha de folhas cheia de pedras, amarrada por uma palha de espiga de milho e com penas espetadas: a peteca. A palavra vem de pe’teka ( em tupi, bater ) e revela o uso do objeto que era golpeado de um lado a outro, numa brincadeira genuína de índios brasileiros. O hábito perdurou por séculos e, como quase todo artefato indígena, acabou por encantar olhos estrangeiros. Em 1920, na Olimpíada da Antuérpia, a primeira de que o Brasil participava, a equipe de natação jogava peteca para se aquecer. Muita gente se aproximou para saber as regras do jogo, que naquele tempo não existiam. Foi em 1973 que se firmou que a peteca, agora também em versão industrializada, com base de borracha de pneu reaproveitada, deve ser jogada por duas a quatro pessoas numa quadra com rede no meio, durante três sets de seis pontos. Oficializado como esporte em 1985, o jogo de peteca, um clássico dos mineiros, chegou até a França e ao Reino Unido, onde existem até federações de petequeiros. E, o mais importante, nunca deixou de ser brincadeira popular.
Agora, curiosidade satisfeita, passo a cuidar dos planos para 2010.
A esperança de que seja melhor que o ano anterior está no coração de todos. Então, vamos fazer em nossa vida como fazemos com as plantas. As plantas necessitam de uma boa sessão de podas para que continuem viçosas. A poda na verdade é tirar entulhos e coisas desnecessárias, que não servem mais, e deixar que o que há de melhor, mais bonito e mais saudável, aflore. Vale para as plantas e para nós também. Afinal, ninguém quer deixar a peteca cair.