Enfim...vitória!!!
E o meu primo Rhafir formou-se! Colou grau ontem, com toda a pompa, honrarias e lágrimas de quem se forma em Medicina em uma universidade federal.
Uma vitória que não é só dele, mas de seus pais e irmãos também. Formar-se médico, quando não se tem dinheiro, é ainda mais difícil. Acompanhei o sofrimento da família, do Rhafir, dos amigos e de todos desde que ele decidiu ser médico.
Ainda muito jovem, com menos de 14 anos, ele já dizia que seria doutor, como diz minha avó. Meus tios se esforçaram para fazer a vontade do primogênito: educação em escola particular, cursinhos e o Rhafir sempre se esforçando.
Vai ser difícil encarar o doutor Rhafir e não conter o riso. Não sei se vocês já passaram por isso. Mas ver alguém, assim como você, realizar um sonho e se tornar um profissional é estranho.
Para mim, os meus amigos vão ser sempre aqueles garotos e garotas cheios de sonhos, de vida e que sonhavam com o futuro que tem agora. O Aldair, para mim não é padre. Aliás, foi muito engraçado vê-lo me dando comunhão em sua primeira missa em Itaúna. Contive-me para não rir e ele também. O Bruno Assunção ainda é o garoto que um dia começou a se exercitar e não o personal trainner renomado de hoje. O Osvaldo é o brincalhão de outrora, que começou como oficce-boy em uma escola de informática e se tornou analista de sistemas, o Fabrício o menino que tinha sonho de ter um negócio próprio e agora é dono da melhor loja de informática da cidade. O Samir o amigo que seguiu o sonho e agora prepara a melhor montagem de Dom Quixote, a Natália a menina de cabelos curtos que esbanjava vitalidade e a transformou em traços, se tornando arquiteta e por aí vai...
O Rhafir, que sempre foi o caçula da turma, ainda é aquele menino de voz fina que aparece em um vídeo amador, falando “ô colega”. Além de amigos, somos primos e carrego o estigma de ter o trazido para “a turma dos minitão”.
As histórias dos meus sapatos escritos se confundem com as histórias auscultadas por ele em seu estetoscópio. Ainda é viva em minha memória o dia em que ele se embebedou pela primeira vez e da janelinha da casa da mãe do Samir jogava tudo para fora.
O dia em que inventamos para duas gêmeas que ele era filho de um sheik árabe, dono de poços de petróleo. Ainda me lembro dele andando só de cuecas na Prainha, durante o desfile do pau de gaiola, no carnaval, depois de ter perdido a saia que usava. É viva a lembrança da minha mãe colocando baldes na beirada da cama dele, quando abusávamos em nossas noites de farras.
Do meu primo Rhafir, hoje médico, lembro-me do primeiro dia desta jornada, em que ele invadiu a redação do jornal S’Passo dizendo que havia passado no vestibular da UFMG. Lembro do seu trote nada convencional, com carreata e direito a nascimento de cachorros, que serão objetos de outra história.
Mas a verdade é que o meu primo Rhafir sempre foi uma espécie de irmão caçula. Como eu sou o último da minha família, nunca tive um irmão mais novo. E o Rhafir ocupou este lugar, não apenas para mim, mas para nossa turma também.
Rhafir Gonçalves Silva, atleticano, ressuscitador de mortos no João XXIII, mesmo antes de ter estudado a ciência de Hipocrates, truqueiro, cervejeiro, namorado da Silmara, filho dos heróis Beth e Geraldo, irmão da Rhágia, Rhaíssa e do Rhayan, é hoje o doutor Rhafir. O primeiro médico da família (que Deus lhe dê paciência).
O homem de branco, que um dia sonhou com o futuro que para ele é agora.
Parabéns Rhafir e só mais um pedido: não se torne urologista, porque senão você vai perder os pacientes da turma dos minitão. Só o nosso amigo “Lelecleimis” é que vai querer marcar hora com o Doutor Rhafir.