
O segundo-sargento Leonardo de Castro Carvalho, de 29 anos, e o subtenente Raniel Batista de Camargos, de 42 anos, eram os únicos mineiros entre os 11 militares brasileiros mortos no terremoto que devastou o Haiti. Natural de São João del-Rei, no Campos das Vertentes, Leonardo deveria voltar para casa no sábado, acompanhado de outros soldados do 11º Contingente do Exército Brasileiro que integravam a missão de paz da ONU no país. “Esperávamos recebê-lo bem no sábado”, disse Carla Tolentino, prima do militar.
A família recebeu ontem de manhã a notícia da morte de Leonardo. A informação foi repassada pelo comando do 11º Batalhão de Infantaria Montanha, sedeado em São João del-Rei. Os militares, no entanto, não informaram as circunstâncias em que o sargento perdeu a vida. A suspeita é de que ele tenha morrido durante uma patrulha.
Leonardo ingressou nas Forças Armadas há 10 anos, depois de ser aprovado no concurso da Escola de Sargentos das Armas (ESA), em Três Corações, no Sul do estado. O militar escolheu uma das especializadas mais arriscadas do Exército, a infantaria, que, geralmente, atua na linha de frente dos conflitos.
O subtenente Raniel Batista de Camargos, de 42 anos, natural de Patos de Minas, usou a internet para desejar feliz aniversário à filha, Giovana, horas antes de perder a vida no terremoto. Integrante da missão de paz, ele estava no Haiti desde junho do ano passado e voltaria para casa no dia 28. Segundo a irmã do subtenente, Mary Camargos, na terça-feira Raniel telefonou a seu pai e disse que já estava “de malas prontas”. “Ele era muito alegre, piadista e brincou dizendo que a gente não ia aguentá-lo aqui”, contou.
Raniel usou o serviço de voz pela internet Skype para falar com os filhos, Giovana, que completava 6 anos, e Luiz Gustavo, 2 anos e meio. As crianças moram em Lins (SP) com a mulher do militar, Heloísa Chagas Maia Camargos, que está muito abalada. A irmã contou que Raniel já falava em ser soldado aos 6 anos, quando gostava de estudar os estados e decorar as capitais.
Depois de ingressar na Polícia Militar, em 1989 ele foi à Escola de Sargentos das Armas de Três Corações e de lá fez carreira no Exército, passando por Brasília, Natal e São Paulo. Segundo Mary Camargos, seu irmão ficou muito feliz por poder participar da missão no Haiti. “Ele era muito solidário, gostava de resolver problemas, tentava ajudar”, contou. “Por telefone, ele dizia que só quando teve contato com a realidade do Haiti é que ficou sabendo o que era pobreza”.