Segunda, 18 Junho 2018

Fechado ao público desde 2014, Museu Municipal segue como ponto de uso de drogas

Publicado em Geral Segunda, 11 Dezembro 2017 08:19
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O Museu Municipal Francisco Manoel Franco, inaugurado no dia 18 de setembro de 1992, com o propósito de manter vivos na memória da população aspectos importantes da história do crescimento e desenvolvimento de Itaúna, está fechado ao público desde 2014. Depois de servir, por mais  de duas décadas, como fonte de conhecimento para milhares de pessoas, o espaço ficou impossibilitado de receber os visitantes devido às condições estruturais precárias. 

Antes do fechamento, em 09 de maio do mesmo ano, o Ministério Público de Minas Gerais – MPMG – havia ajuizado uma ação contra o Município, cobrando a preservação do patrimônio histórico e cultural. Inicialmente, o próprio Osmando Pereira da Silva, prefeito à época, foi acionado pela Justiça a adotar as devidas providências para reparos e conservação do imóvel. A edificação faz parte, desde 2011, da lista de bens protegidos apresentados para pontuação no ICMS Cultural, programa por meio do qual são distribuídos os recursos oriundos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, destinados às ações na área. 

Anunciada pela administração em 2014, a reforma do Museu Municipal não saiu do papel. A Prefeitura chegou a apresentar, já em 2015, o projeto arquitetônico, desenvolvido pela MGTM Patrimônio Cultural e Turístico. A reportagem do JORNAL S’PASSO teve acesso a documento que diz que, antes da execução das obras, é preciso desenvolver planta estrutural, de instalações elétricas e hidrossanitárias, drenagem de águas pluviais, prevenção e combate a incêndio, plano museológico e restauração de elementos artísticos integrados.   

A MGTM ainda recomendou o planejamento urbano e paisagístico para a Praça João Pessoa e entorno, para promover a integração do logradouro com o prédio. Em 1º de fevereiro de 2017, o Departamento de Cultura, juntamente com a Secretaria de Infraestrutura e os vereadores Gláucia Santiago, Alexandre Campos e Lucinho de Santanense, se reuniram com moradores da região para discutir soluções para os problemas apontados. O governo elaborou um novo projeto, que previa até a instalação de uma cafeteria, porém, até agora não houve quaisquer intervenções efetivas. 

Uma moradora da região, que pediu para não ser identificada, por receio de retaliações e porque já teve a casa depredada em outra ocasião, disse ao JORNAL S’PASSO que a situação piora a cada dia. Segundo ela, desde 2013 a população dali vem cobrando os devidos cuidados com o Museu Municipal e o acervo que o imóvel abriga.  

“Aqui está a história de Itaúna. Os educadores traziam as crianças para conhecer como era a nossa cultura, como as coisas funcionavam. Hoje só está servindo de criadouro de bicho, rato, escorpião, dengue, virou ponto de consumo de drogas e prostituição. Cadê os defensores da cultura? Esse aqui é um local que dá para fazer muita coisa. Estão levando os itens, mas não sabemos para onde. Alguma medida tem que ser tomada com urgência. Não podemos permitir que um material tão valioso seja perdido assim”, relatou a moradora. 

A reportagem foi esta semana à Praça da Estação e verificou as condições da edificação por fora. Peças antigas, como uma cadeira datada do século XIX, estão expostas ao sol e chuva. A mangueira de incêndio também está jogada do lado de fora do prédio. Vândalos pularam a cerca e destruíram parcialmente  a cozinha e o moinho. Segundo a população, essas pessoas usam a área para o consumo de drogas.  

História 

O Museu Municipal Francisco Manoel Franco foi edificado no estilo eclético, em 1911, para abrigar a Estação Ferroviária de Itaúna e impulsionou junto da Companhia Industrial Itaunense e a Santanense, o desenvolvimento urbano e econômico do município. O ponto de embarque e desembarque dos trens funcionou no imóvel até o ano de 1986.

Em 29 de março de 1990, foi assinado um contrato com a Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima – RFFSA – para o Município utilizar o prédio. Em 1991, a Prefeitura recebeu como comodatária, a título de empréstimo uma locomotiva de fabricação “Baldwin Locomotive Works”, ano 1919. O Museu Francisco Manoel Franco foi criado pela Câmara Municipal, por meio da Lei nº. 2.570, de 18 setembro de 1992.

Em 1995 foi assinado outro convênio junto a Rede Ferroviária com o objetivo de realizar naquele espaço, projetos de natureza cultural, educacional e urbanístico, particularmente aqueles relacionados com a preservação, valorização e difusão do patrimônio da memória e das tradições ferroviárias, no âmbito do município. Para isso, o prédio recebeu uma restauração técnica, tendo em vista a importância da manutenção dos traços arquitetônicos originais. O Museu tem mais de 400 peças catalogadas no acervo.

 

 

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